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A Reforma Tributária não mudará apenas a forma de calcular os tributos sobre o consumo. Ela também elevará o nível de exigência sobre a qualidade das informações fiscais.
Um levantamento realizado, analisou 6,4 milhões de notas fiscais eletrônicas emitidas por 87 grandes empresas e identificou um dado preocupante: 66,2% dos documentos apresentavam falhas capazes de comprometer o aproveitamento dos créditos de IBS e CBS.
Mais do que um problema operacional, esse resultado evidencia um desafio de governança tributária que as empresas precisarão enfrentar durante a transição para o novo sistema.
No modelo atual, muitas empresas concentram seus esforços na correta emissão da nota fiscal.
Com a implementação do IBS e da CBS, esse cuidado precisará ser ampliado.
O aproveitamento dos créditos tributários estará cada vez mais condicionado à consistência das informações fiscais, ao correto preenchimento dos documentos eletrônicos e ao cumprimento dos eventos fiscais exigidos pela legislação.
Isso significa que não basta emitir uma nota fiscal.
Será necessário garantir que todo o fluxo da operação esteja corretamente documentado e validado.
Outro aspecto importante revelado pelo estudo é que a qualidade dos créditos tributários deixará de depender exclusivamente dos processos internos.
A preparação dos fornecedores passa a ter papel estratégico.
Segundo o levantamento, apenas uma parcela dos fornecedores analisados preenchia corretamente os novos campos relacionados ao IBS e à CBS, demonstrando que grande parte da cadeia de suprimentos ainda não está preparada para as exigências da Reforma Tributária.
Na prática, uma empresa poderá cumprir rigorosamente seus procedimentos internos e, ainda assim, enfrentar dificuldades para aproveitar créditos caso receba documentos fiscais inconsistentes.
Esse cenário amplia a importância da gestão de fornecedores e do monitoramento da qualidade das informações recebidas.
Historicamente, grande parte dos investimentos em tecnologia fiscal esteve concentrada na emissão dos documentos eletrônicos.
Com a Reforma Tributária, a conferência das notas recebidas tende a ganhar ainda mais relevância.
A validação dos campos fiscais, a manifestação do destinatário, a verificação das informações transmitidas e o acompanhamento das operações passam a influenciar diretamente a recuperação dos créditos tributários.
Em outras palavras, a entrada das notas fiscais passa a ser tão importante quanto sua emissão.
A atualização dos sistemas de gestão (ERPs) será indispensável, mas, isoladamente, não será suficiente.
As empresas precisarão revisar parametrizações tributárias, fortalecer seus controles internos e integrar áreas como fiscal, contabilidade, financeiro, compras e tecnologia.
Além disso, será necessário acompanhar continuamente as atualizações normativas e capacitar as equipes responsáveis pela operação.
A adaptação exigirá uma combinação de tecnologia, processos bem definidos e governança tributária.
O período de transição previsto pela Reforma Tributária oferece uma oportunidade importante para revisar processos antes da implementação definitiva do novo sistema.
Empresas que utilizarem esse momento para validar seus cadastros, revisar seus fluxos documentais, avaliar a qualidade das informações recebidas e fortalecer seus controles internos estarão mais preparadas para reduzir perdas de créditos tributários e minimizar riscos operacionais.
O levantamento que identificou falhas em 66,2% das notas fiscais eletrônicas demonstra que o maior desafio da Reforma Tributária não estará apenas na mudança da legislação, mas na qualidade da informação que circula entre empresas, fornecedores e administrações tributárias.
Nesse novo ambiente, o crédito tributário dependerá cada vez mais da consistência dos dados, da integração entre processos e da eficiência dos controles internos.
Por isso, a preparação para o IBS e a CBS deve ir além da atualização dos sistemas. Ela exige uma revisão da governança fiscal da empresa, da gestão documental e da relação com toda a cadeia de fornecedores.
Mais do que cumprir uma obrigação acessória, garantir a qualidade das informações fiscais será uma medida essencial para proteger créditos tributários, preservar o fluxo de caixa e reduzir riscos no novo modelo tributário brasileiro.
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